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04 fevereiro, 2016

Duke Dumont - Ocean Drive



À V (desculpa mas agora é assim)

À V, cujo nome não tem direito a mais letras por questões de moda e privacidade.

I- Laço
Nós, enfermas, partilhamos hoje uma condição semelhante - a do arrelio pela maleita.
Mas por entre a miríade de pequenos acontecimentos que se sucedem nos nossos fatídicos dias, essa condição é de longe a menor das partilhas. Há que não menosprezar o poder da sonoridade de uma tosse convulsa - que já dura há séculos by the way, nem da brusquidão do movimento de quem apanhou um cagaço com uma mão nas costas. Tudo isto são partilhas, especialmente as de novas sapatilhas. Partilhamos ar, quem sabe os respetivos micróbios, partilhamos a triste ideia de ter tirado o mesmo curso e as incompreensíveis teorias cósmicas de que só a nossa área se lembra. Partilhamos música, algumas ideias - e já não é pouco.

II- Deslaço
Há, no entanto, outra condição a que estamos sujeitas.
As costas voltadas. Porquê sempre de costas voltadas?
Somos como os Capuleto e os Montecchio, nunca vai dar e há quem morra a tentar. De tanto voltar de costas, só os caracóis se olham de frente. E a isso estamos condenadas, não fora uns singulares Mil Sóis Resplandescentes ou um The Less I Know the Better como boas desculpas para intervalar tamanha hostilidade.

III- Terceiro
Só porque qualquer boa ideia, frase ou texto é sempre composto de três partes. Não que eu tenha tal ambição, mas hás de reparar.
E porque numa parte assim, que vem em jeito de ultimação, fica bem dizer algo que remeta para o futuro: Que se aumente as partilhas, seria um bom começo de entre tanto que há por começar. 

Tem uma recuperação curtinha e gentil :)

Sopa estaladiça, 
amén.